Matar o presente para salvar o futuro?

E se os governos fossem outros, seria diferente?

Nos dias que correm, basta olhar para as páginas dos jornais ou ver os telejornais, para se aperceber que por este mundo fora, ninguém está contente com aquilo que temos, sobretudo no que diz respeito aos governantes que dirigem os nossos países. Queremos sempre mais e melhor. Por isso, se exige sempre mais dos governos e das pessoas, que de uma maneira ou de outra chegaram a lugares de poder para tomarem decisões por nós.

Em tempo de crise, as decisões a tomar ou anunciadas pelos governos centrais, como solução aos diferentes problemas, acabam por ser mal acolhidas e geram conflitos sociais, que deixam marcas por muito tempo. Nos dias que correm, o ambiente social é aquilo que se vê por toda a europa, em particular em França, onde a força dos sindicatos e o descontentamento geral das pessoas, estão a deixar todo o país à beira de uma crise de nervos. Por um lado, a maioria da população apoia estas manifestações, mas de outro, não esconde o receio e o pânico que o País venha ficar completamente paralisado acentuando uma crise que teima em desaparecer, acrescendo as dificuldades do dia a dia. Nas grandes cidades, teme-se os resultados das manifestações. Com maior frequência, aparecem aqueles grupos de destruição, que apenas se misturam às pessoas para partirem tudo o que lhes aparece pela frente, deitando fogo a carros, casas, comércios, locais públicos ou privados, deixando um rasto de miséria atrás deles. Os desacatos e conflitos entre manifestantes e forças de segurança acentuam-se provocando uma maior separação entre as pessoas do poder que podem, mandam e fazem, e as pessoas que manifestam, apenas, na esperança de serem ouvidos e defenderem aquilo a que temos direito.

Que seja em Portugal ou França, a origem destes descontentamentos está no aumento de impostos, da quebra de salários, do aumento da idade de reforma, das frequentes reduções dos direitos sociais adquiridos ao longo dos anos. Está no pouco que os governos têm feito repetidamente pelas classes médias ou baixa. Está no próprio comportamento dos governantes, dos quais os nomes aparecem ligados a escandâlos, a fraudes, a gastos chorudos dos seus gabinetes e da sua vida do dia a dia, quando se pedem esforços ao resto das populações, aos salários imcompreensiveis, às reformas mirabulantes depois de meia duzia de anos de (fracos) serviços.

A classe política, tornou-se ao longo dos anos numa classe imcompetente, fraca e reles, incapaz de encontrar e prôpor soluções aos problemas do presente e garantir um futuro às sociedades. Os governos dos nossos dias, apenas olham para os resultados económicos e financeiros. A eduação, a segurança, o emprego, a saúde deixaram de ser uma preocupação.

Como se pode garantir o futuro quando não se defendem nem valorizam estes valores humanos, sociais, educacionais ou outros? Em Portugal ou França, que futuro podemos esperar, quando se fecham escolas ou hospitais porque não são rentáveis, obrigam-se as escolas ou professores a darem boas notas, para não baixar as médias nacionais de resultados. A formação, educacional ou profissional, que foi sempre um dos pilares das sociedades deixou de ser importante.

Como pode um país ser mais produtivo e competitivo, sem formação ou educação?

A riqueza e ajudas continuam a ser distribuidas apenas pelos grandes grupos económicos que fazem e desfazem segundo as suas vontades, tranformando-se estes e apenas estes, nos centros de interesse classe política.

Em Portugal ou França, as soluções propostas são identicas, sempre e cada vez mais, aumentos de impostos e redução de custos, o que gera aquilo que se conhece, conflitos sociais à repetição, os pobres cada vez mais pobres, os ricos cada vez mais ricos e um fosso cada vez maior entre ricos e pobres.

E se os governos fossem outros, seria diferente?

Em Portugal, com maiorias absolutas ou sem elas, uns e outros já todos (ou quase) passaram pelos governos. E o que foi feito? Foi um melhor que o outro?

A situação de hoje, não será ela um fruto bem maduro, de tantos anos de uma política imcompetente, reles e falsa, de uma classe corrupta e gananciosa?

A classe política está a matar o presente, na esperança de salvar o futuro.

De paris, Paulo ADÃO

Uma resposta a Matar o presente para salvar o futuro?

  1. Paulo Victória diz:

    Parabéns, Paulo. Gostei imenso da tua reflexão.
    Abraço.

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