Liberdade, quanto vales?

Nos dias que correm, tão habituados a termos tudo, a poder dizer aquilo que queremos e quando queremos, deixamos de dar valor a certos actos que tanto custaram a adquirir. Falo do direto de VOTO, um acto cívico, cada vez mais abandonado e desprezado por alguns, e tão desejado por outros. 

Hoje as sociedades, ditas evoluidas, democráticas, vivem problemas sociais, económicos e outros, que fazem com que se deixe de acreditar nos políticos que nos governam. Poucos são aqueles que ainda depositam alguma confiança nos governos. Esta semana houve, em França, eleições para os Conselhos Regionais, responsaveis entre outros, pelos Transportes, a Educação, a Formação Profissional e Emprego. Nestas eleições, a abstenção bateu records, atingindo quase os 54 % a nivel nacional, atingindo em algumas cidades ou vilas os 70%. O mesmo acontece em Portugal, na Espanha e tantos outros paises por esse mundo fora, onde as populações são livres de votar e exprimir o seu acordo ou desacordo com os candidatos. 

Mas como podemos depois exigir algo de alguém, se não votamos? Todos sabemos que em política os candidatos, prometem mais do que aquilo que podem mas isso não é novo. Sempre assim foi, já Antonio Aleixo dizia:

Tu, que tanto prometeste
enquanto nada podias
Hoje que podes, esqueceste
tudo aquilo que prometias.
  

Mas para além das promessas, com que direito, com que liberdade manifestamos contra um governo que não elegemos ou pelo qual não manifestámos nenhuma opinião? A manifestação é um direito, também ele adquirido em nome da liberdade, mas não será o voto o melhor meio de manifestar?

Quantos paises, sonham nos nossos dias, poderem exprimir as suas escolhas politicas, poderem dizer livremente que escolheram azul ou branco, mas a liberdade deles ainda não lhes permite isto. Nós somos livres, de pensar, de dizer o que pensamos, de manifestar e também de votar.  

Com força, estamos sempre prontos a defender as cores clubisticas, interesses mais ou menos pessoais. Porque não utilizar as mesmas forças no que diz respeito às eleições políticas. Afinal são os governos que decidem, mal ou bem, da nossa liberdade.

O gesto de expressar a própria opinião, faz de nós os actores principais da nossa liberdade.

Reflexões de Paris de Paulo ADÃO

Uma resposta a Liberdade, quanto vales?

  1. Zé Pereira diz:

    Dizem os árabes que, sabem que os seus governantes lhe mentem, mas mesmo assim, acreditam neles.
    Porventura serei eu árabe?
    Tenho cara de gostar de aldrabices?
    Primeiro, seria necessário que os políticos mentissem menos, depois seria necessário que as pessoas não estivem à espera das aldrabices dos políticos para verem quem faz o “filme” de maior ficção.
    Quer isto dizer que uns mentem e outros gostam das suas “pantominices”, por isso está bem assim.

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