Indiferença

Vemos o mal acontecer ao nosso lado e passamos, indiferentes à sorte dos outros. É como se entre o que eles são e o que nós somos houvesse a distância de todo um universo. Seremos pacotes de existência sem ligação com os demais? Às vezes convenço-me disso. Outras vezes, quando olho a solidariedade com que acorremos às desgraças que tombam sobre a humanidade, desminto a mim mesmo esta visão tão negativa da natureza humana. Mas convenço-me cada vez mais de que sere-mos apenas aquilo que decidirmos ser, em cada instante da vida, nas decisões que tomamos e na forma como observamos e interagimos com os outros. É por isso que a indiferença é uma arma mortífera. Passar pelo outro sem reparar na sua dor e fazer disso uma atitude quotidiana é plantar cardos na alma alheia ou, se preferirmos, dar o último impulso quando o outro já está no horizonte que separa o abismo da vida.
A última semana foi ensombrada pela notícia de uma criança que decidiu pôr termo à vida depois de ter sido frequentemente maltratada por alguns dos seus colegas. Onde esteve a nossa atenção, o nosso cuidado, a nossa solicitude? Talvez este facto medonho possa ser um apelo a que cada um de nós se torne guardião do bem dos outros. Não para se intrometer indevidamente na sua vida privada, nos espaços de silêncio que não quer desvendar, mas para estar atento aos sinais que emite quando o sofrimento assume proporções que a capacidade humana não pode suportar.
Basta que tenhamos aberta a nossa alma e criemos condições para que aconteça o encontro com os outros, quando têm inscrita no olhar a vontade de partilhar connosco as próprias desventu-ras. Basta que endureçamos o rosto perante aquele que humilha e maltrata o seu semelhante, não permitindo que a violência caminhe até onde a destruição alheia não tem retorno.

Uma resposta a Indiferença

  1. Zé Pereira diz:

    Neste momento sinto uma revolta enorme misturada com raiva e impotência perante tanta imcompetência e descaramento nas atitudes e acções.
    Pergunto:
    – Será assim de tanta importância para o Orçamento de Estado retirar das escolas pessoal auxiliar para que deixem de prestar o serviço necessário e essencial na educação dos nossos jovens?
    – Porque é que numa escola com cerca de 2.000 alunos apenas tem 3 auxiliares de educação, que terão como atividade principal marcar as faltas dos professores logo que cheguem 3 minutos atrados?
    – Onde estará o pai da criança que ainda não apareceu e que será provavelmente a causa da perseguição dos colegas devido ao seu abandono familiar? Acho que a falta de união da família estará na causa de certos problemas.
    Penso que a nulidade da família tal como a querem impingir está na causa de muitos males na educação dos nossos adolescentes. Também acho que poderá ter sido benéfico já que a desgraça poderia ser maior. Comigo seria concerteza e depois pagaria mas também já não teria importância nenhuma.

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